Trabalho para o dia Universal da Mulher
Na criação do mundo, isto é, no alvorecer da vida, surgiu a mulher num paraíso - Eva - Obra delicada, pura e sensível de Deus, para a conservação do gênero humano. É a mulher, como cita a bíblia, a dominadora da serpente e do dragão, esmagadora da hidra, cuja predestinação e carisma a colocaram como esposa e mãe, sendo a rainha do lar.
A ela é atribuído todo o encantamento, e, na Grécia antiga foi representada por várias deusas: Vênus, Euterpe, Diana, Nereida, enfim, Vestal, que guardava as piras sagradas. Ainda, vemos Helena de Tróia dividindo dois povos e na extraordinária Roma a egípcia Cleópatra conquistando Júlio César, como tambem, na Assíria, Semíramis, esposa de Nabucodosor, surpreendendo Alexandre , o Grande.
A humanidade rende culto à mulher, e os poetas a classificam como a bela Estrela-do-Mar - Maria - que rivaliza com a Lua e com as ninfas dos rios encantados, onde tudo era magia; e a mitologia grega a consagrava e glorificava num ritual extremamente rigoroso.
Já o Romantismo dá, tambem, à mulher, formas delicadas, meigas e até ingênu
as, comparando-a às musas do Olimpo. A Literatura consagrou gênios, de cujo lirismo a transformou em anjo. O homem a valorizava, a ponto de dar a vida pelo seu amor, como Romeu. Todos tinham sua musa inspiradora: Petrarca, Abelardo, Camões. Foi a parte mais empolgante e bela da Literatura.No Brasil nossos escritores tiveram sua fase áurea, sua hora estrelar. A mulher brasileira foi para os românticos, símbolo de amor e ternura. Ser mulher, era ser glorificada ao mais alto desejo de posse. Para o homem, fosse culta ou não; pobre ou rica, tinha a mesma exaltação, o mesmo valor, tanto material, quanto espiritual. E, em nosso solo Pátrio, o Romantismo criou Marília de Dirceu - Maria Joaquina Dorotéia de Seixas Brandão, a deusa de Tomás Antônio Gonzaga - Paraguassu, a índia da Bahia, que se batizou na França com o nome de Catarina, nome da que foi sua madrinha - Catarina de Médices, rainha da França, ocasião em que tambem se casou com o português Diogo Alvares Correia - O Caramuru. No Ceará, Iracema, a índia que imortalizou José de Alencar. Entre nossas heroínas, citamos Ana Nery, Maria Quitéria, Anita Garibaldi, a heroína de outras pátrias - Itália e Brasil - Madre Joana Angélica, Bárbara de Alencar e outras. Não se pode esquecer a cearense Raquel de Queirós, a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras.
Mas o advento do Modernismo, sacudiu as bases estruturais da sociedade. Trouxe o predomínio da razão sobre o coração e atingiu a essência do que a mulher tinha de mais elevado - O decoro - Contudo não foi somente uma mudança de comportamento, foi, totalmente de costumes, separando os casais, dividindo lares, enfraquecendo a religião.
Em 1922, na Semana da Arte Moderna, Anita Malfatti, em São Paulo, expõe seus quadros de nudismo.
E a mulher, gradativamente, luta pela sua emancipação. Na Inglaterra, conquista o direito do voto; depois de muito sofrimento, torna-se pioneira na sufragação universal. Ao lado dessas conquistas, ela domina nas artes, letras, no cinema e vai às barras dos tribunais, em cargos eletivos, a vemos competir com o homem. Quantas mulheres se destacaram e se destacam na história política dos povos, na literatura, nas artes... Nos parlamentos, nas assembléias, como senadoras, deputadas, ministras: Golda Meyr, Margarette Tacther, Gomayr Buto, Isabelita, Indira Gand, são exemplos para a posteridade.
Em pleno século das luzes, a mulher transpõe os umbrais da liberdade extirpando a fúria do machismo, do preconceito, vil tabu, vencendo o ainda existente. mas ela chegará ao ano dois mil, livre do jugo imposto pelos austéros códigos do passado.
Nela ainda há o gesto amigo e esposa e mãe, apesar de tudo. Ser mãe é o mais belo desejo da maioria, uma vez que ela é a fonte da vida...
Viva a Mulher!
Zilmar Mendes Martins

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